sábado, 16 de junho de 2018

África do Sul

Fizemos esta exótica viagem no ano de 2008, em nossa lua de mel. O objetivo era ir ao Oriente, mas nossa passagem aérea, da South African Airways, permitia o fracionamento do bilhete, com parada na África do Sul. 
Transcreverei nesta postagem o que registrei em papel, naquela ocasião.

20/05/2008
Após um voo relativamente curto de 8 horas, chegamos à África do Sul. Fizemos uma conexão em Joannesburgo e apanhamos um voo direito para a Cidade do Cabo. No aeroporto, alugamos um carro na Hertz e dirigimos até o Southern Sun Hotel, onde passaríamos três noites.
Cidade do Cabo é moderna e descontraída, oferecendo diversas opções de entretenimento. Ao mesmo tempo, conta com uma história e cultura riquíssimas.
No mesmo dia que chegamos, fomos dar uma volta no centro histórico. Percorremos um circuito a pé, começando pelo Castelo da Boa Esperança. Esta edificação, em forma de pentágono, foi construída para fins de defesa, no ano de 1666,  e é o prédio em estilo europeu mais antigo na cidade.

Depois, caminhamos até o lindo edifício Old Town Hall, onde Nelson Mandela fez seu primeiro discurso após ter sido libertado da prisão, em 1990.
Seguimos para a catedral anglicana St. George e para o Company's Garden, uma área verde que pertencia à então Companhia das Índias.
Em uma esquina próxima, está localizada a Groote Kerk, antiga igreja reformista holandesa. Atrás dela estava a "árvore dos escravos", onde se praticava a mercancia de pessoas escravizadas.
Do outro lado da rua está o Slave Lodge, que já serviu de abrigo para escravos e onde atualmente há um museu.
À noite, fomos jantar no Waterfront, um porto revitalizado na orla da Cidade do Cabo, onde há vários restaurantes e bares. Caminhamos pelos decks e paramos para jantar no restaurante City Grill, que havia sido premiado naquele ano pelo melhor filé da cidade. A refeição foi acompanhada por um excelente merlot da renomada vinícola Stellenbosch.


21/05/2008
Acordamos bem cedo e, após um café da manhã reforçado, pegamos o carro e começamos a descer em direção ao sul, pela costa oeste. Infelizmente, o tempo estava fechado.
Passamos pela Clifton Bay, Camps Bay e Llandudno Beach. Seguimos a linda estrada de Chapman's Peak, aos pés do pico que leva o mesmo nome. De um lado, este pico de pedras desgastadas pelo vento e de outro, as águas azuladas da Hout Bay. Essa estrada leva ao outro lado da península, até a Baía Falsa, na costa leste.


Passamos pela Simon's Town e fomos direto para Boulder's Beach, para ver os pinguins africanos.






Seguimos até o Cabo da Boa Esperança, avistando vários macacos babuínos na beira da estrada.


Chegamos à reserva natural do Cabo da Boa Esperança. São 12 km desde a entrada até a ponta do Cabo, que podem ser percorridos de carro. 


Fizemos uma caminhada de aproximadamente 10 minutos, morro acima, até o topo do cabo da Boa Esperança, que tem uma linda vista.



Depois, apanhamos o carro e dirigimos até o Cabo Dias, onde há um farol.
Continuamos em direção a Overberg, contornando a False Bay. Passamos pela cidade de Muizenberg e Kalk Bay, entre outros balneários (Gordon's Bay, Kogel Bay, Betty's Bay, Kleinmond). A estrada é muito bonita, com penhascos de um lado e mar azulado do outro. Chegamos até Hermanus, de onde, dependendo da época do ano, é possível avistar baleias. Enfim, apanhamos o caminho de volta para Cidade do Cabo.


22/05/2008
Pela manhã, dirigimos até o pé da montanha Table Mountain, que aparece em todas as fotos panorâmicas da cidade. Há um teleférico que leva ao topo da montanha, de onde se tem uma vista maravilhosa.

É possível avistar o Waterfront, a baía de Clifton, a baía Hout, o pico Lion's Head, um pedaço do Cabo da Boa Esperança e a baía Falsa. A Table Mountain, em termos geológicos, é uma das montanhas mais antigas do mundo (mais antiga que os Himalaias), já tendo sido fundo do oceano.





Ao fundo, podemos observar a pequena ilha Robben Island, onde Nelson Mandela permaneceu aprisionado, por 18 (de um total de 27) anos.



Descemos da montanha e fomos até o Waterfront. Passeamos pelas docas, passando por feiras de artesanato e lojinhas. Paramos em um Pub para tomar uma cerveja - local que já foi uma daquelas tavernas antigas onde marinheiros europeus paravam para matar a sede.




Artistas de rua faziam apresentações de danças tribais.


Fomos, então, até a vinícola Constantia Vineyard, que produz excelentes vinhos. Passamos pelas plantações e até comemos uvas que apanhamos no pé. Compramos uma garrafa de vinho que abrimos no restaurante Simon's, no interior da vinícola, onde jantamos.





23/05/2008
Voamos de Cidade do Cabo até Joannesburgo, onde alugamos outro carro. De lá, dirigimos até Nelspruit, passando por Pretória. Apenas cruzamos estas cidades, pois o real destino era o Parque Kruger.

24/05/2008
Acordamos bem cedo e fomos ao Parque Kruger. Este parque é uma das reservas mais protegidas do planeta. Tem aproximadamente 350 km de extensão e 65 km de largura. Foi cercado em 1898, por Paul Kruger, primeiro presidente Boer (Afrikaner) da África do Sul. Aqui é possível avistar os "big five": leão, leopardo, búfalo, elefante e rinoceronte, entre outras dezenas de espécies de animais.
Dirigimos com nosso próprio veículo pelas estradas internas do parque, sendo praticamente todas asfaltadas. Não é permitido descer do veículo.
Logo que entramos pelo portão, já avistamos o animal mais abundante do parque: o antílope "impala".

Em seguida, avistamos um grupo de animas pastando, incluindo zebras, búfalos, javalis e impalas.








Vimos um elefante, na beira de uma fonte, bebendo água e, mais adiante, dois grandes elefantes atravessando a rua e vindo em nossa direção.






Ao nos aproximarmos do rio, avistamos um hipopótamo e um crocodilo.

Apanhamos uma estradinha de terra e encontramos uma girafa. Logo depois, um grupo grande de aproximadamente 10 girafas, atravessando a estrada.



Avistamos, ainda, macacos "vervet", muito espertos, que buscavam comida (é proibido alimentar os animais no parque).
Quando estávamos prestes a ir embora, avistamos, de longe, um chacal e também um caracal (uma espécie de onça pintada, pequena). É muito difícil avistar felinos, pois são muito ágeis e se escondem.
Para finalizar o passeio, assistimos a um por-do-sol espetacular.

Saímos do parque e paramos para dormir em um safari lodge, chamado Timbavati, com decoração africana, onde também jantamos.



O jantar foi fantástico: ao lado de fora das cabanas, com fogueira, apresentação de danças típicas e comida deliciosa.


Após o jantar, tomamos um delicioso merlot na varanda da cabana.

25/05/2008
Partimos em direção ao Blyde River Canion, na região do Drakensber Escarpment. É uma região com muitas montanhas e canions e é um dos lugares mais bonitos da África do Sul.
A primeira parada foi The Three Rondavels, três montanhas cilíndricas, cercadas por uma vegetação exuberante.


Em seguida, fomos ao fantástico Bourke's Luck Potholes. Atravessamos uma ponte suspensa que ligava dois paredões de rocha, a 50 metros de altura. No fundo deste vale, o encontro dos rios Blyde e Trewer formava buracos cilíndricos no rochoso leito do rio.








Seguimos para Wonder Window e God's Window. Nesta última, subimos 300 degraus para atingir o topo.

Breves apontamentos sobre a história da África do Sul:

O país era constituído por diversas tribos, não unificadas.
Os primeiros europeus a chegarem na África do Sul foram os portugueses, em 1487, em expedição liderada por Bartolomeu Dias, à procura de uma nova rota para as Índias. Este apenas contornou o cabo da Boa Esperança, mas não deu seguimento à expedição, o que somente foi feito em 1498, por Vasco da Gama. 
Os portugueses não tiveram muito interesse em colonizar a região, mas os holandeses, sim. 
Em 1652, a Companhia das Índias (que era holandesa) fundou um assentamento em Cidade do Cabo, sob o comando de Jan Van Riebeeck. Alguns dos holandeses empregados da Cia das Índias foram autorizados a ali estabelecer suas próprias fazendas e a cultivar a terra. Esses seriam os antecessores dos "Afrikaners". 
A esses holandeses se juntaram alemães e franceses huguenotes, que fugiam de perseguições religiosas na Europa. 
Os europeus assentados na África viviam em conflitos sangrentos com a população local (chamada de khoekhoen).
Juntaram-se a todos esses, também, escravos negros e indonésios, importados por europeus.
No século XVIII, o poder mercantil dos holandeses começou a entrar em declínio, o que deu espaço para a colonização inglesa. Os ingleses tomaram a Cidade do Cabo para evitar que os franceses o fizessem. 
Os ingleses eram muito mais educados e cultos do que os descendentes dos holandeses (neste período, denominado Boers e, posteriormente, denominados Afrikaners), que eram fazendeiros rústicos. Logo começou uma disputa pelo poder entre ingleses e Boers.
A abolição da escravatura, em 1833, pelos ingleses, foi considerada como um disparate pelos Boers.
Em 1880, ocorreu a primeira guerra entre os Boers e os ingleses. Nesta ocasião, os Boers venceram (batalha de Manjuba) e retomaram o poder, tendo Paul Kruger, o líder da rebelião Boer, se tornado presidente da nova república. 
Em 1899, ocorreu a segunda guerra entre Boers e ingleses, tendo os ingleses vencido. Este acontecimento reduziu os Boers, agora denominados Afrikaners, a uma situação de pobreza. 
Os negros, por sua vez, viviam totalmente às margens da sociedade.
Os Afrikaners fundaram um partido político e tentaram retomar o poder. Nessa disputa não deixaram espaço para os negros e, por volta de 1913, a legislação os proibiu de ocupar certos empregos e reservou apenas 8% da área do país para sua ocupação, apesar de constituírem 75% da população. Eles começaram, então, a se rebelar e, em 1923, fundaram o partido ANC (African National Congress).
Em 1924, os Afrikaners voltaram ao governo, por meio de uma coalisão e, sob a liderança do radical Daniel François Malan, iniciou-se em 1948 a política de segregação (Apartheid).
Essa cruel política proibia casamento interracial, classificava pessoas pela raça, limitava as cidades aos brancos e bania os negros para as townships (uma espécie de gueto). 
Foram separadas, ainda, praias, escolas, hospitais e bancos em parques que poderiam ser usados por negros.
Em 1949, começaram a surgir movimentos de resistência contra o Apartheid. Vários líderes do movimento foram presos, inclusive Nelson Mandela (que foi, em 1964, condenado à prisão perpétua). 
Em 1961, foi realizado um referendum e a África do Sul deixou de fazer parte do Commonwealth, tornando-se independente da coroa britânica.
A partir de 1980, a África do Sul passou a ser pressionada pela opinião internacional e a sofrer sanções por causa da política de segregação. O Governo cedeu e aboliu a legislação segregacional. Em 1990, Mandela e outros políticos foram libertados da prisão e neste ano a legislação do Apartheid estava completamente abolida. 
Em 1994, Mandela foi eleito presidente e governou até 1997, cedendo lugar a Thabo Mbeki. 
O país ainda conta com inúmeros problemas, que decorrem, também, da diversidade cultural que ali se apresenta. Ele é formado por diversas etnias (para se ter uma ideia, há 11 idiomas oficiais na África do Sul, sendo que os mais falados são o inglês, o africaans e xhosa, entre outros dialetos).
(Fonte: Lonely Planet)

Paramos em Graskop para tomar um café e seguimos para Swaziland, um país independente, mas que fica totalmente encravado no território da África do Sul. É governado por um rei, Mswati III, um dos últimos monarcas da África. O país resistiu à colonização inglesa, Afrikaner e dos Zulus, conseguindo manter sua autonomia. O povo é extremamente simpático e acolhedor. É permeado pela pobreza, mas suas terras são amplamente cultivadas. É um dos lugares do mundo com a maior incidência de pessoas portadoras do vírus HIV (cerca de 40% da população).
Atravessamos a fronteira e rumávamos para a capital, Mbabane, quando anoiteceu. Paramos na primeira acomodação que encontramos e, para nossa surpresa, se tratava de um resort, com cabanas que reproduziam a típica habitação da cultura swazi (telhado de palha e galhos que vão até o chão), rústico e elegante, ao mesmo tempo.






Jantamos, no próprio hotel, uma comida deliciosa.


26/05/2008
Pegamos o carro e rumamos em direção ao Vale Ezulwini, onde se concentra a cultura swazi. Visitamos uma tribo, cuja população ainda vive em cabanas típicas. Um habitante da vila nos guiou, explicando sobre os hábitos do povo local. Eles criam animais e cultivam a terra. Eles cozinham no chão. Entramos em algumas cabanas, em cujo interior há utensílios diversos.
Em sua cultura, prevalece a poligamia e a mulher é considerada como um ser inferior ao homem, sendo a ele submissa. Para contrair matrimônio com uma virgem, o homem a compra por 17 vacas. 







Caminhamos até uma cachoeira próxima ao local e depois assistimos a uma apresentação de dança típica, chamada "sibhaca", muito interessante. Havia uma dança para cada tipo de ocasião (predição do futuro, cura, chuva, etc.) e o coro cantando emocionava. Até dançamos um pouco!






Deixamos a pequena vila e retornamos à África do Sul. Fomos direto ao complexo Sun City, um resort que tem diversos hotéis (de 3, 4, 5 e 6 estrelas). Passeamos em todos eles, pois uma vez hospedado ali, é possível transitar de um local a outro.
O hotel The Palace of the Lost City, de 6 estrelas, já foi considerado um dos hotéis mais luxuosos do mundo. Ele é realmente deslumbrante, com torres, colunas minuciosamente trabalhadas, grandes lustres, cascatas internas e janelas de vidro que vão do chão ao teto.


27/05/2008
Deixamos este exótico país e partimos em direção à Ásia.